Problemas associados ao uso de plantas medicinais comercializadas no Mercadão de Madureira, município do Rio de Janeiro, Brasil
Tipo de material:
ArtigoAssunto(s): Recursos online:
Em: Revista Brasileira de Plantas Medicinais (Brazil) v. 14(3) p. 537-547; (2012)Sumário:
RESUMO:
O uso de plantas medicinais pela população brasileira é prática tradicional, sendo
muitas vezes o único recurso utilizado na atenção básica de saúde. O uso terapêutico dessas
plantas envolve várias etapas da cadeia produtiva, sendo a procedência, coleta, secagem,
armazenamento, comércio, modo de preparo pelo usuário e uso. O objetivo desse trabalho
documental, de caráter exploratório, foi levantar a produção científica existente sobre os problemas
associados a cada uma dessas etapas e discutir as questões relacionadas à carência de estudos
para comprovar a eficácia farmacológica e a ausência de riscos toxicológicos, bem como a
prática de autodiagnóstico. As vinte plantas mais comercializadas em grande mercado do município
do Rio de Janeiro em agosto de 2007 serviram de base para o levantamento documental do
presente estudo. Dessas, seis apresentaram propriedades tóxicas comprovadas dependendo do
preparo e uso, a arnica (Solidago chilensis Meyen), aroeira (Shinus terebinthifolius Raddi.), arruda
(Ruta graveolens L.), babosa (Aloe vera L.), confrei (Symphytum officinale L.) e poejo (Mentha
pulegium Lam. & DC.). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aponta contra indicações para
boldo-do-Chile (Peumus boldus Molina), chapéu-de-couro (Echinodorus macrophyllus Micheli),
erva-cidreira (Lippia alba N.E.Br.), erva-de-bicho (Polygonum spp.), espinheira-santa (Maytenus
spp.), picão (Bidens pilosa L.), poejo (Mentha pulegium Lam.) e tanchagem (Plantago major L.).
O abajerú, arnica, boldo-do-Chile, confrei, erva-de-bicho e espinheira-santa tiveram relato de
problemas de identificação na coleta e comercialização frente a outras morfologicamente
semelhantes. Plantas cultivadas e silvestres apresentam variabilidade de princípios ativos
influenciados por fatores ambientais e genéticos, como chapéu-de-couro (Echinodorus macrophyllus
Micheli), erva-cidreira (Lippia alba N.E.Br.) e erva-de-bicho (Polygonum spp.). A contaminação e
o comprometimento da preservação dos princípios ativos pela secagem e armazenamento
inadequados foram relatados para o guaco (Mikania glomerata Sprengel), camomila (Chamomilla
recutita L.), erva-cidreira, chapéu-de-couro e boldo-do-Chile (Peumus boldus Molina). Pode-se
constatar que todas as etapas da cadeia produtiva das plantas medicinais apresentam desafios
para que se possa garantir identificação da espécie, disponibilidade, qualidade, segurança e
eficácia de uso.
Palavras-chave: medicina popular, toxicidade, cadeia produtiva das plantas medicinaisSumário:
ABSTRACT:
Problems associated with the use of medicinal plants commercialized in
“Mercadão de Madureira”, Rio de Janeiro City, Brazil. The use of medicinal plants by the
Brazilian population is a traditional practice and is often the main resource used in primary
healthcare. The therapeutic use of these plants involves several steps in the supply chain: origin,
harvest, drying, storage, form of preparation by the user and use. The aim of this documental
study of exploratory nature was to survey the scientific literature about the problems associated
with each of those steps and discuss the issues related to the lack of studies to prove the
pharmacological efficacy and the absence of toxicological risks, as well as the autodiagnosis
practice. The 20 plants most commercialized in a large market of Rio de Janeiro City in August
2007 were the basis for the documental survey of the present study. Of these, six had proven toxic
properties depending on their preparation and use: arnica (Solidago chilensis Meyen), aroeira
(Shinus terebinthifolius Raddi.), rue (Ruta graveolens L.), “babosa” (Aloe vera L.), comfrey
(Symphytum officinale L.) and pennyroyal (Mentha pulegium Lam. & DC.). The National Agency
for Sanitary Surveillance shows contraindications for: “boldo-do-Chile” (Peumus boldus Molina),
“chapéu-de-couro” (Echinodorus macrophyllus Micheli), lemon balm (Lippia alba N.E.Br.), “ervade-bicho”
(Polygonum spp.), “espinheira-santa” (Maytenus spp.), “picão” (Bidens pilosa L.),
pennyroyal (Mentha pulegium Lam.) and plantain (Plantago major L.). “Abajerú”, arnica, “boldodo-Chile”,
comfrey, “erva-de-bicho” and “espinheira-santa” were reported to show identification
problems in the harvest and in the commercialization compared to morphologically similar plants.
Cultivated and wild plants showed variability in active principles influenced by environmental and
genetic factors: “chapéu-de-couro” (Echinodorus macrophyllus Micheli), lemon balm (Lippia alba
N.E.Br.) and “erva-de-bicho” (Polygonum spp.). Contamination and compromising of the preservation
of active principles due to inadequate drying and storage was reported for guaco (Mikania glomerata
Sprengel), camomile (Chamomilla recutita L.), lemon balm, “chapéu-de-couro” and “boldo-doChile”
(Peumus boldus Molina). All stages of the supply chain of medicinal plants constitute
challenges to ensure the proper species identification, availability, quality, safety, and efficacy of
their use.
Key words: popular medicine, toxicity, supply chain of medicinal plants
| Tipo de material | Biblioteca atual | Coleção | Número de chamada | Informaçaõ do volume | URL | Situação | Devolução em | Código de barras |
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Periódicos
|
Biblioteca Nacional de Agricultura - Binagri | Periódicos agrícolas | 2012 14(3) | Texto integral (PDF) | Consulta local | 2024-0186 |
Publicação on-line; Bibliography p. 544-547 (74 ref.); Summaries (En, Pt)
RESUMO:
O uso de plantas medicinais pela população brasileira é prática tradicional, sendo
muitas vezes o único recurso utilizado na atenção básica de saúde. O uso terapêutico dessas
plantas envolve várias etapas da cadeia produtiva, sendo a procedência, coleta, secagem,
armazenamento, comércio, modo de preparo pelo usuário e uso. O objetivo desse trabalho
documental, de caráter exploratório, foi levantar a produção científica existente sobre os problemas
associados a cada uma dessas etapas e discutir as questões relacionadas à carência de estudos
para comprovar a eficácia farmacológica e a ausência de riscos toxicológicos, bem como a
prática de autodiagnóstico. As vinte plantas mais comercializadas em grande mercado do município
do Rio de Janeiro em agosto de 2007 serviram de base para o levantamento documental do
presente estudo. Dessas, seis apresentaram propriedades tóxicas comprovadas dependendo do
preparo e uso, a arnica (Solidago chilensis Meyen), aroeira (Shinus terebinthifolius Raddi.), arruda
(Ruta graveolens L.), babosa (Aloe vera L.), confrei (Symphytum officinale L.) e poejo (Mentha
pulegium Lam. & DC.). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aponta contra indicações para
boldo-do-Chile (Peumus boldus Molina), chapéu-de-couro (Echinodorus macrophyllus Micheli),
erva-cidreira (Lippia alba N.E.Br.), erva-de-bicho (Polygonum spp.), espinheira-santa (Maytenus
spp.), picão (Bidens pilosa L.), poejo (Mentha pulegium Lam.) e tanchagem (Plantago major L.).
O abajerú, arnica, boldo-do-Chile, confrei, erva-de-bicho e espinheira-santa tiveram relato de
problemas de identificação na coleta e comercialização frente a outras morfologicamente
semelhantes. Plantas cultivadas e silvestres apresentam variabilidade de princípios ativos
influenciados por fatores ambientais e genéticos, como chapéu-de-couro (Echinodorus macrophyllus
Micheli), erva-cidreira (Lippia alba N.E.Br.) e erva-de-bicho (Polygonum spp.). A contaminação e
o comprometimento da preservação dos princípios ativos pela secagem e armazenamento
inadequados foram relatados para o guaco (Mikania glomerata Sprengel), camomila (Chamomilla
recutita L.), erva-cidreira, chapéu-de-couro e boldo-do-Chile (Peumus boldus Molina). Pode-se
constatar que todas as etapas da cadeia produtiva das plantas medicinais apresentam desafios
para que se possa garantir identificação da espécie, disponibilidade, qualidade, segurança e
eficácia de uso.
Palavras-chave: medicina popular, toxicidade, cadeia produtiva das plantas medicinais
ABSTRACT:
Problems associated with the use of medicinal plants commercialized in
“Mercadão de Madureira”, Rio de Janeiro City, Brazil. The use of medicinal plants by the
Brazilian population is a traditional practice and is often the main resource used in primary
healthcare. The therapeutic use of these plants involves several steps in the supply chain: origin,
harvest, drying, storage, form of preparation by the user and use. The aim of this documental
study of exploratory nature was to survey the scientific literature about the problems associated
with each of those steps and discuss the issues related to the lack of studies to prove the
pharmacological efficacy and the absence of toxicological risks, as well as the autodiagnosis
practice. The 20 plants most commercialized in a large market of Rio de Janeiro City in August
2007 were the basis for the documental survey of the present study. Of these, six had proven toxic
properties depending on their preparation and use: arnica (Solidago chilensis Meyen), aroeira
(Shinus terebinthifolius Raddi.), rue (Ruta graveolens L.), “babosa” (Aloe vera L.), comfrey
(Symphytum officinale L.) and pennyroyal (Mentha pulegium Lam. & DC.). The National Agency
for Sanitary Surveillance shows contraindications for: “boldo-do-Chile” (Peumus boldus Molina),
“chapéu-de-couro” (Echinodorus macrophyllus Micheli), lemon balm (Lippia alba N.E.Br.), “ervade-bicho”
(Polygonum spp.), “espinheira-santa” (Maytenus spp.), “picão” (Bidens pilosa L.),
pennyroyal (Mentha pulegium Lam.) and plantain (Plantago major L.). “Abajerú”, arnica, “boldodo-Chile”,
comfrey, “erva-de-bicho” and “espinheira-santa” were reported to show identification
problems in the harvest and in the commercialization compared to morphologically similar plants.
Cultivated and wild plants showed variability in active principles influenced by environmental and
genetic factors: “chapéu-de-couro” (Echinodorus macrophyllus Micheli), lemon balm (Lippia alba
N.E.Br.) and “erva-de-bicho” (Polygonum spp.). Contamination and compromising of the preservation
of active principles due to inadequate drying and storage was reported for guaco (Mikania glomerata
Sprengel), camomile (Chamomilla recutita L.), lemon balm, “chapéu-de-couro” and “boldo-doChile”
(Peumus boldus Molina). All stages of the supply chain of medicinal plants constitute
challenges to ensure the proper species identification, availability, quality, safety, and efficacy of
their use.
Key words: popular medicine, toxicity, supply chain of medicinal plants

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