História universal da infâmia /
- 2 ed.
- Porto Alegre, RS: Globo, 1978.
- 68 p.
As páginas desta História Universal da Infâmia inscrevem-se entre as maiores que a América Latina já produziu. Trazendo profundas implicações estéticas e filosóficas, o livro representou uma revolução sem precedentes na literatura argentina da década dos 30, que até então, salvo raríssimas exceções, como Roberto Arlt, fora eminentemente regionalista. Embora estas reflexões sobre a infâmia devessem ser apenas um exercício narrativo na intenção do autor, havia nelas qualidades que as distinguiram da produção literária da época, mesmo em termos de vanguarda. Não foi o fato de ter-se valido da eludição como parte integrante do texto ficcional, não foi ironia sutil, de sabor britânico, que perpassava sua visão de mundo, nem foi sequer a força alegórica dos temas que alcançaram o nome de Borges à fama, levando-o além das fronteiras do continente. Muitos escritores, na tradição ocidental, já haviam percorrido esses caminhos. O que Borges manifestava de inovador, e que ainda se mantém em suas obras, era a sólida consciência de que a arte é um produto, uma deformação em segundo grau da realidade, e que nunca poderá ser realista, no sentido usual do termo. Elegendo por tema um punhado de facínoras de valiada procedência, tais como Monk Eastman, Lazarus Morell, Billy the Kid, a Viúva Ching.