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_bpor
_cBiblioteca Nacional de Agricultura
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072 _aS86
090 _aS86
_bBS0003338
100 1 _aDourado, Autran
245 1 _aA barca dos homens /
250 1 _as. ed.
260 3 _aRio de Janeiro, RJ:
_bRecord,
_c19982.
300 _a361 p.
520 3 _aAutran Dourado definiu "A barca dos homens" como "uma história de caça e pesca". A linha condutora seria a história de uma perseguição a um homem que teria roubado uma arma. Fortunato, o fugitivo em questão, é um débil mental que vai mexer com a realidade e os sonhos, o consciente e o inconsciente dos habitantes e veranistas de uma ilha do litoral brasileiro, fazendo aflorar sentimentos e desejos ocultos. Ninguém é o que parece. Provocados, desejos reprimidos reaparecem com a força de uma ressaca, em ondas que ameaçam arrebentar tudo, mas que, por algum motivo, acabam fracas "lambendo" a areia. O ciclo recomeça e, um dia, pode ser que o final seja diferente. A escolha de uma ilha como cenário para este primeiro grande romance do autor reflete o cerceamento de todos os personagens, e não apenas de Fortunato, em uma situação limite, detonadora de conflitos. A ação se desenrola a partir da narrativa de alguns desses personagens, exibindo ao leitor diversos pontos de vista de um mesmo acontecimento. Há Luzia, que sempre morou na ilha; a mãe de Fortunato, a contadora de "causos" que mistura o pensamento com a reza; Maria, a burguesa entediada com o casamento que redescobre a sexualidade e a identidade em um aparentemente implausível encontro erótico. Os tipos bem construídos prosseguem com Godofredo, o marido em crise de idade e de autoridade; o tenente Fonseca, duro e incorruptível, mas apaixonado por Maria. Há Frei Miguel que tenta salvar Fortunato do implacável tenente, e Tonho, o pescador desiludido de quem o perseguido espera a salvação. Eles - além dos presos, dos soldados, das prostitutas, das crianças - participam da trama que conduz o leitor ao desfecho que reúne as diversas narrativas que se sucedem e se combinam. Ao final, um novo Fortunato nasce e parece que nada aconteceu, se bem que tudo tenha mudado. A barca dos homens é uma metáfora do ciclo da vida. Um livro em que Autran Dourado já se apresenta como o grande romancista e o refinado prosador de suas obras seguintes. E, com certeza, como um dos maiores estilistas de nossa literatura.
650 _aLITERATURA BRASILEIRA
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_2AGRIS
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